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Jejum intermitente e a sua utilização para perda de peso

A prática de jejum intermitente é tradicionalmente executada por grupos religiosos como budistas, cristãos, muçulmanos e hindus há milhares de anos, entretanto, na última década vem ganhando popularidade entre nutricionistas como uma prática alimentar para redução de peso e alteração de características metabólicas como: melhoras no perfil lipídico, diminuição da frequência cardíaca e da massa gorda, efeito cardioprotetor e maior utilização de lipídios como combustível metabólico. No entanto essa prática é amplamente debatida como controvérsia, já que, alguns estudos alegam todos esses efeitos positivos considerando o Jejum Intermitente como uma técnica superior as tradicionais, enquanto outros abordam as consequências em longo prazo como: risco maior de ter diabete, obesidade e resistência à insulina.

A execução do jejum intermitente se baseia em uma restrição alimentar voluntária de 8, 12 ou até 24 horas sem se alimentar com frequência de 2 vezes na semana, ou adotando períodos de horas mais curtos, até com a duração de uma semana inteira; por isso levanta-se a preocupação também de uma compulsão alimentar, já que diante de horas ou dias de privação é comum o instinto de tentar recuperar os nutrientes que não foram fornecidos durante aquele período ou armazenar mais nutrientes para suportar a próxima pausa

Então levando em consideração aspectos como:

  1. “A hipótese mais aceita cientificamente quanto a obesidade e demais doenças crônicas não transmissíveis está fortemente associada à falta de estilo de vida saudável (alimentação inadequada e sedentarismo) e não necessariamente ao fracionamento ou intervalos menores ou maiores de alimentação”;

  2. “Não se tem evidências científicas suficientes provenientes de estudos controlados envolvendo humanos para suportar os benefícios supracitados do JI”;

  3. “Os resultados obtidos são advindos de estudos experimentais com amostra reduzida, o que não é suficiente para sustentar com segurança essa prática em seres humanos”;

  4. “O que determina de forma plausível, entre outras consequências, o desequilíbrio na oferta de nutrientes e ingestão de calorias são as mudanças envolvendo a substituição de alimentos in natura ou minimamente processados de origem vegetal e preparações culinárias à base desses alimentos por produtos industrializados prontos para consumo, com alta densidade calórica, de acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira. Ainda, tais alterações nos hábitos alimentares são observadas com grande intensidade no Brasil. Esses fatores são preponderantes para o ganho de peso ou sua manutenção, e não a ingestão calórica diária ou seu fracionamento”.

A ASBRAN (Associação Brasileira de Nutrição) emitiu um parecer no dia 05/02/2019 (com base no estudo do Jornal da USP que realizou experimentos em seu campus de Ciências Biomédicas, e diversos artigos relacionados somente aos efeitos do Jejum Intermitente veiculados nos últimos 5 anos) atestando que é necessário mais estudos e observações em espécies humanas a longo prazo para comprovar a eficácia do JI como uma estratégia nutricional superior as tradicionais, bem como seus efeitos adversos, e, esses estudos devem seguir um protocolo consensualmente definidos que determine credibilidade; Sendo assim, as alegações benéficas, milagrosas ou maléficas relacionadas ao jejum intermitente ainda podem ser consideradas insuficientes para sua recomendação ou demonização.

Portanto, a alimentação saudável promovida pelo Guia Alimentar para a População Brasileira associada à prática de exercícios e bons hábitos de vida, são capazes de contribuir para a manutenção, prevenção e recuperação da saúde.

A bióloga Ana Clara, uma das pesquisadoras responsável pelo estudo do Jornal da USP ainda deixa claro que com o jejum intermitente, a pessoa ingere menos calorias e, com isso, emagrece. “Talvez muitos dos resultados benéficos observados em algumas pesquisas possam ser ocasionados pela perda de peso em si, e não por causa do jejum intermitente, pois perder peso melhora vários parâmetros associados à síndrome metabólica. Agora se o jejum intermitente for, de fato, benéfico, é preciso estudar qual é o melhor protocolo”.

Então concluindo, fica a critério técnico do profissional avaliar a metodologia realizada por esses estudos e a confiabilidade dos seus veículos propagadores, assim como a da população de sempre pesquisar por órgãos oficiais para se informar melhor, não se influenciando por promessas milagrosas e/ou não profissionais que vendem uma imagem falsa dessa técnica, e também não executar nenhum método sem o acompanhamento de um nutricionista!

Referências

http://www.asbran.org.br/noticias.php?dsid=1806

http://www.asbran.org.br/arquivos/parecerTecnicoJI.pdf

https://jornal.usp.br/atualidades/pratica-de-jejum-intermitente-tem-consequencias-a-longo-prazo/


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